#1: escultura transmidiática
instalação desenvolvida para a 10º Bienal de arquitetura de São Paulo 2013.
Com Serguei Dias, Pedro Paulo Rocha, Pedro Belasco, Beto Nogueira,
entre muitos outros participantes da obra coletiva, ainda em atividade.
Exibida na exposição Batalhão de Telegrafistas, galeria Jaqueline Martins
com curadoria de Tobi Mayer
julho 2014

+ sobre o projeto:
www.facebook.com/dispositivo01



Descrição:

DISPOSITIVO

A obra visa potencializar a discussão sobre o empoderamento e autonomia do indivíduo na medida em que ele se apropria do conhecimento e de sua livre circulação. O Dispositivo, procura estabelecer dentro das mídias digitais uma forma de resistência às mediações das instituições e provedores que controlam a circulação de informação. É um artefato transmidiático que coleta e distribui informação daquilo que acontece no âmbito em que atua e para além dele.

CONECTE

O projeto surge com o entendimento de conhecimento como um cultivo no interior das práticas de um determinado grupo ou sociedade e seu fator transformador das realidades locais. Isso significa dizer que a abordagem do conhecimento é a própria construção coletiva. Ela contém a idéia de um modelo de realidade. Em segundo lugar, é reconhecendo o conhecimento como um valor intrínseco aos grupos que se favoressem das práticas e trocas, que se valoriza sua produção. E por fim, a ideia de que qualquer atividade que se desenvolve no interior de um grupo alimenta e modifica o mesmo.

O processo de construção do conceito Iniciou-se com um grupo de estudos e de atividades em torno da discussão sobre natureza e cultura, com o intuito de compreender melhor os processos de validação do conhecimento.

Sobre a perspectiva das teorias rede, pode-se ter um modelo bastante adequado para pensar estas relações em termos estruturais. Assim como nos ecossistemas, considerar as trocas em termos de organismos vivos, autónomos e coletivistas.

Pode-se somar a este raciocínio, o estudo de cibernética, que entende o sujeito como possuidor de tecnologias introjetadas. Biomáquinas, que por considerar os disposivos de extensão do ser humano, atuam no campo da micropolítica, da biopolítica e do ativismo como promotores de autonomia do sujeito. Isso permite pensar o ser humano e a sociedade como um projeto de prototipia, ou seja, a constante transformação de seus dispositivos. O dispositivo apresentado é inspirado nos robôs científicos lançados no espaço. Satéletes, sondas espaciais como a Voyager, que captam, documentam, armazenam e difundem o produto de sua pesquisa.

O objetivo é cinergizar uma rede a partir da atividade de um cluster. Deste modo esta sonda urbana é um equipamento voltado a coleta e difusão de conteúdo. Um aparato que instaura uma rede local e o acesso a um banco de dados na internet; faz trocas de arquivos a partir de dispositivos wi-fi; grava video e transmite em tempo real. Deste modo, criamos um ambiente facilitador e mesmo empoderador das trocas e o meio em que se estrutura. Abre a possibilidade e amplifica os encontros dentro dos eventos já programados para a exposição.

Uma organomáquina na medida em que seu uso e sentido pressupõem a interação do homem – máquina. Pretendemos explorar o conceito de Escultura Social, proposto pelo artista Joseph Beuys. A idéia é abolir as fronteiras entre objeto estético, práticas sociais, campos políticos e educacionais.

Beuys acreditava que essas esferas estavam presentes na vida como um todo. “...essa concepção de arte não é nenhuma teoria, é uma configuração do pensamento; evidentemente que não se trata de uma figuração que se pode pendurar na parede (...) é uma maneira de proceder, onde se percebe que o olho interno é muito mais importante que as imagens externas.”

Reconhecendo que as capacidades motoras da criatividade já estão dadas no percurso da vida, o que deve se fazer é potencializá-las. Trabalhar o co-funcionamento, a simbiose entre os protagonistas. Sejam eles pessoas, instituições, coletivos, o próprio conhecimento e a natureza.

Giorgio Agambem descreve a idéia de “dispositivo” em Foucault: “É um conjunto heterogêneo, linguístico e não linguístico, que inclui virtualmente qualquer coisa no mesmo título: discursos, instituições, edifícios, leis, medidas de política, proposições filosóficas etc. O dispositivo em si mesmo é a rede que se estabelece entre esses elementos. (...) O dispositivo tem sempre uma função estratégica concreta e se inscreve sempre numa relação de poder. (...) Como tal, resulta do cruzamento de relações de poder e de relações de saber.”

Nos valendo dos conceitos de Foulcault, muito bem analisados por Agambem, ativamos portanto este dispositivo nas relações de poder/saber do campo das artes, estabelecendo a rede através dos conceitos apresentados pelos artistas nesta mostra, e criando as inumeras
possibilidades de ativação deste conhecimento.

A FORMA


Em 500 AC Pitágoras estudou o dodecaedro como síntese do universo, “cosmos”. Acreditava que através do seu estudo minucioso poderia extrair verdades subjacentes. Associava o conhecimento geométrico e matemático a uma linguagem oculta da natureza. Desta forma compreendeu a matemática geométrica como ferramenta para desenvolvimento do con- hecimento científico. Esta utilização das verdades matemáti- cas ficou conhecida como Razão Pura e, em 1781, Emmanuel Kant iria transpor esse conceito de sua esfera de ferramenta científica do conhecimento, para as práticas éticas e morais. Portanto o dodecaedro carrega em si o conceito de universo.

Fortalecendo a idéia da exposição, do cruzamento de trabalhos, que está presente no projeto curatorial e na própria idéia de Arte Postal, o equipamento pode compreender/con- ter os trabalhos dos demais artistas, assim como propor a explosão e troca dos conteúdos apresentados. Ao longo da mostra serão realizados encontros, discussões, nos quais o dispositivo atue como captador de informações, registre, ou ainda se transforme numa plataforma que possibilite outros acontecimentos, estabelecendo mais uma camada de troca entre os trabalhos e debates. Assim, a presença do objeto se faz rizomática, acompanhando os episódios da exposição e transitando por ela através de distintas afinidades, oportunidades de discussão, coleta e divulgação de conhecimento.

Nadezhda Rocha
Serguei Dias

Dispositivo #2 - Sputnik
À convite da 11ª Bienal de Arquitetura, foi desenvolvido de forma experimental e colaborativa, um pequeno dispositivo de interação e registro que acompanhou alguns eventos da programação da Bienal em janeiro de 2018.

4 câmeras, 1 projetor, 2 baterias e 1 arduíno, dentro de um suporte de 8 faces, 4 hexagonais e 4 triangulares de acrílico portátil, o pequeno Sputnik é transparente enquanto material e enquanto desenho arquitetônico e tecnológico: todo o processo de construção e de programação foi elaborado no FAB LAB Livre da Vila Itororó.



Através de uma interface simples, com botões para acionamento, o Sputnik grava em vídeo a partir de 4 câmeras, podendo ser acionadas 3 câmeras ao mesmo tempo. Três pontos de vista num mesmo corpo. Ou ainda, o acionamento da 4ª câmera está vinculado à um projetor: pode-se acionar a câmera e o projetor simultaneamente, assim o que é projetado pode voltar a ser vídeo e assim sucessivamente, problematizando a ideia de registro e de realidade. Ao somar conteúdos e pontos de vista, busca promover uma reflexão estética e política sobre a cidade, criando novas narrativas visuais.

Na sua confecção, que é totalmente experimental, discute a democratização do design e dos meios, a intersecção entre disciplinas e fazeres. Para sua feitura, usa do corte a laser, impressão 3D, eletrônica básica e programação de arduíno, acionando os laboratórios livres de pesquisa em tecnologia.